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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Paraguaçú é ‘Ensaio sobre a Solidão’…

«‘A viagem da minha vida’, o subtítulo do livro do projecto de travessia, não significa um retrato da minha vida como uma viagem, mas sim o retrato desta viagem em concreto, que poderá marcar a minha vida. Todas as vidas deveriam merecer uma grande ‘viagem’, de algum tipo, que as encha e faça transbordar… Seja no sentido da procura daqueles breves momentos de felicidade “que justificam uma vida” ou, como para os muçulmanos, no sentido do dever de efectuar pelo menos uma viagem de peregrinação a Meca…» (trecho do livro).













Fotos do Paraguaçú no facebook:
http://www.facebook.com/#!/media/set/?set=a.136523499788650.29430.135954383178895&type=3 

Aqui, pretendo agradecer o apoio recebido ultimamente sob diversas formas: das simpáticas palavras, conselhos, e belissimo jantar dos velejadores Helena e José Carlos Viegas, ao lindo poema enviado pela Maria Dolores Saez.

Sigue, sigue adelante y no regreses,
Fiel hasta el fin del camino y tu vida,
No eches de menos un destino más fácil,
Tus pies sobre la tierra antes no hollada,
Tus ojos frente a lo antes nunca visto
.
(Luis Cernuda)

A propósito, estamos a organizar a apresentação do projecto em várias escolas interessadas em apoiar a travessia: da Escola Secundária Gil Eanes, de Lagos, ao Colégio Primário Nuestra Sra. de la Antigua de Monteagudo, de Murcia. As escolas interessadas podem contactar por e-mail (zgiraldes@hotmail.com).

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ilha decadente - a história repete-se!


A rádio Sagres FM (94.6 MHZ) vendia a ilha da Páscoa como destino turístico e contava em resumo a sua história: a próspera população da ilha chegou a atingir 15 mil habitantes!

Possivelmente povoada tão cedo como entre 300 e 400 D.C. e apenas registada pelos europeus em 1722 (ano da sua descoberta pelo explorador holandês Jacob Roggeveen), a ilha de Páscoa entrou em decadência em meados desse século e a população reduziu-se para cerca de 2 mil habitantes. Ao que parece a prosperidade do povo Rapa Nui derivou da agricultura e da destruição das florestas até que, extintas estas, o terreno ficou impróprio para o cultivo e deixou de conseguir satisfazer tantas bocas. Seguiram-se revoltas sociais, guerras, e o declínio da população… Diz-se que por isso foram derrubadas muitas das mais de 900 enormes esculturas ou Moai!

A moral da história está muito bem resumida num artigo de Cláudia de Castro Lima (http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_255142.shtml): «Para um grande número de pesquisadores, o colapso foi causado pela acção descuidada do homem sobre a natureza. Não é à toa que a Ilha de Páscoa é actualmente apontada como uma espécie de metáfora do futuro da Terra: o que houve com os rapanuis é mais ou menos o que pode acontecer com a população do planeta»!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Poucas palavras e muita energia!


Tal como parece que sobre os melhores dias sempre cai uma mancha… para quebrar o encanto - no primeiro dia a remar o Paraguaçú, a partir de Lagos, cheguei ao Alvor e, no regresso, quando tudo ia bem, a poucos metros do meu pontão fui abalroado por um turismo pilotado por um ser prepotente e, duas semanas depois, no regresso de Porto de Mós, após uma jornada quase perfeita, encaixei o pantilhão numa rocha submersa – também as melhores reacções são obtidas das pessoas que menos esperamos! Descobre as semelhanças… Tal como alguns falam demasiado e não dizem nada, ou outros que prometem com a maior das facilidades mas também se ‘esquecem’ do prometido ainda com maior velocidade (a promessa é uma forma algo abusivamente utilizada para cativar e despertar interesse), uns pucos há que, com poucas palavras ou pequenos gestos, te inundam de energia positiva! Obrigado Maria Clarinda, Alberto Garcia, Jota Correia, Humberto (estes dois senhores tive o prazer de os conhecer já na Marina de Lagos) e tia Teresa.

Este parágrafo faz parte do livro 'Ensaio sobre a solidão' sobre a travessia do Atlântico a remos.

domingo, 12 de agosto de 2012

90 anos da primeira travessia aérea!

Em 2012 perfazem 90 anos desde a primeira travessia aérea do Atlântico sul, por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Os dois aviadores partiram de Belém a 30 de Março, no hidroavião ‘Lusitânia’. Na primeira etapa voaram até às Canárias. Na segunda, até Cabo Verde. Quando se acercavam da ilha de Fernando de Noronha começaram as peripécias… Uma amaragem forçada danificou um dos flutuadores. Foram então apoiados por um navio mas tiveram que utilizar um novo aparelho para prosseguir: o ‘Pátria Brasileira’, cujo motor avariou em poucas horas! Depois, bom, depois teve que vir um novo motor de Portugal…
Foi desta forma que os dois aviadores chegaram ao Brasil, percorrendo algumas cidades costeiras antes de terminar no Rio de Janeiro a 15 de Junho. A aeronave chamava-se ‘Santa Cruz’!


É sensivelmente esta a rota que o Paraguaçú pretende reconstituir, homenageando o espírito dos aviadores pioneiros. Mas o Paraguaçú (‘mar imenso’) é portador de uma mensagem: ‘Eco-eficiência’ é a expressão que pretende transmitir a necessidade de conseguir uma maior eficiência energética, através do estabelecimento de políticas mais firmes de sustentabilidade e conservação de recursos. De 3 formas: racionalizar os recursos energéticos; proteger o ambiente; poupar as florestas (em especial a Amazónia)!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Em Lagos....

Agradeço aqui ao Marco Firmino (www.atlgrafico.web.pt) pelo esforço extra para os novos autocolantes; ao Pedro Santos e Rita pelo contacto com o Jornal da Região, e ao Jorge Ferreira pelo artigo http://jregiao-online.webnode.pt/products/quatro-meses-sozinho-a-remar-contra-a-crise-/ ; ao pessoal do CNA (www.cnalges.pt) pela custódia do Paraguaçú; ao Costa Motta pela disponibilidade para o transporte do barco; e à Marina de Lagos (www.marlagos.pt) pela excelente recepção e infra-estruturas…
Todos os apoios, por insignificantes que pareçam, são extremamente importantes (infelizmente também houve quem não cumprisse). Mas nesta altura, as negativas e os revezes só me dão mais força para continuar…

Como escreveu a minha irmã Isabelinha “já que vai de qualquer maneira que o faça com os melhores…”. Este bem poderia ser o mote para motivar os apoios ‘maiores’ (os menores estão em http://travessiaoceanica.blogspot.pt/2012_06_01_archive.html, do dia 4Jun.). O orçamento da rapariga alemã que terminou uma travessia semelhante no início do ano era o dobro do meu (no barco gémeo do Paraguaçú), e foi integralmente coberto por “bons sponsors” (como me escreveu).

Em Lagos, treino pela manhã com as águas calmas para evitar os ventos de norte que se levantam pela tarde. No primeiro dia cheguei à baia de Alvor e regressei… tudo a correr bem até que entrei no canal da Marina e fui abalroado pelo barco turístico ‘Mananita’ (que desde já não recomendo), sem prioridade, cuja brutalidade de mestre e tripulação me deixou entristecido. Também por aqui, além da brutalidade popular, se pavoneiam vaidades, por parte de pilotos de barco a motor que fazem questão de ‘marcar’ a presença. Curioso é como é tão diferente a atitude dos skippers dos veleiros…
No quarto dia fiz um exercício ao largo, afastando-me da costa e lançando um drogue para estudar como este travava o arrastamento do barco pelo vento… A satisfação chegou-me quando perto de mim, silenciosos, se cruzaram 3 golfinhos…com uma atitude bem diferente da do mestre do barco turístico! Quis chamar-lhes a atenção para que se aproximassem mais mas o único que me ocorreu não foi chamar o típico “bicho, bicho…”, foi cantarolar o tema Ukelele do filme Arizona Junior! Vá-se lá saber!!!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Porquê?

A pergunta que mais me fazem, e fizeram em especial durante a Feira Náutica do Tejo, é: “porquê atravessar o oceano?”
Além de pretender transmitir a mensagem da ‘eco-eficiência’ e homenagear o espírito empreendedor e aventureiro de portugueses de outrora (mais detalhes nas primeiras mensagens deste blog, tenho um outro objectivo muito pessoal: acabar de escrever um novo livro que intitulei ‘Ensaio sobre a Solidão’! Este revelará as preocupações com esta viagem e reflexões em estado de solidão, tal como pretende averiguar até que ponto se verifica a oportunidade dos temas analisados...







Acidentes domésticos:
Um ano passou desde que comecei a viver na autocaravana. Nesse período apenas tive dois ‘acidentes domésticos’ (rebentei a porta do wc ao cair contra ela e dei uma cabeçada num cabide fixo) que relaciono com a exiguidade do espaço. Em apenas 3 dias dentro do Paraguaçú tive um acidente doméstico potencialmente mais sério: entornei sobre a perna a água a escaldar para preparar o almoço! Quantos acidentes domésticos me esperarão durante a travessia neste espaço tão mais limitado que o de uma caravana?

sábado, 30 de junho de 2012

Bolsa de valores e ambiente…

As acções de bolsa da Galp descem porque… o preço do petróleo desceu (TSF, 28.06.12)!!! No ridículo desta economia liberal de carroussel a Galp beneficia com a subida do preço do petróleo!? Que é como quem diz: uma empresa ganha quando todos os consumidores perdem ou, se os preços do crude sobem a Galp ganha mais porque o aumento dos preços da sua gasolina é maior do que o aumento dos seus custos!!! Não admira, pois, que esta constantemente esteja a atirar os preços para cima! (ver também A Economia Carroussel - Crónica 44, de 23.06.11, em http://cronicasdozezinho.blogspot.com).

As últimas fotos (3) que coloquei no facebook mostram situações em que uns poucos beneficiam com o que muitos perdem!



A mensagem do Paraguaçú pretende beneficiar todos e é como tal que, fazendo um "little bit", se associa à frase de Desmond Tutu: