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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A mensagem do Paraguaçú!


No início do ano (04.04.11), a TVE divulgou que se tinham atingido os 40% na redução da capa de ozono sobre o Árctico. No final do ano (29.11.11), o jornal i referia que o Ártico está 2 milhões de km2 mais pequeno do que no final do séc. XX – a perda de gelo registada desde os anos 70 “é maior do que alguma vez foi em, pelo menos, 1450 anos”.
A história do consumo energético e do crescimento económico e demográfico da humanidade nos últimos 100 anos, “indica-nos que as alterações climáticas são, em boa parte, consequência de um desenvolvimento económico e demográfico sem precedentes, possibilitado pelo uso massivo dos combustíveis fósseis”, como o carvão, o petróleo e o gás (Mariano Marzo, catedrático de Recursos Energéticos, Fac. Geología Univ. Barcelona, El País, 22.02.11). Segundo a Organização Mundial de Meteorología, 17 países registaram em Agosto de 2010 recordes de temperaturas máximas. Se alguém ainda tem dúvidas de que o Homem está a provocar o aquecimento global, aqui ficam mais dados objectivos: “O séc. XX foi o mais quente dos últimos 1.000 anos” (NCuatro, 06.02.11). Os 13 anos mais quentes registados na Terra aconteceram nos últimos 15 anos; a Finlândia teve o verão mais quente em 200 anos (2011); a Arménia bateu o recorde da temperatura mais alta na história do país: 43,7º; no leste do Quénia, oeste da Somália e sul da Etiópia, choveu menos 50% a 80% do que o normal. No sudeste da Ásia, a época das monções (Jun.-Set.) foi muito mais molhada do que o habitual - em alguns lugares como o delta do Mekong choveu 80% mais que o normal (jornal i, 30.11.11).

A Amazónia absorve 1,5 milhões de toneladas de CO2 (o equivalente à poluição dos EUA?), mas a última grande seca afectou 3 milhões de km2 da floresta. A grande floresta era vista como o pulmão do mundo, mas agora percebemos que é mais do que isso - desempenha também funções de rim para o planeta e as de outros orgãos reguladores, como no corpo humano. O problema agora é que de purificador a Amazónia pode passar a contribuinte para a poluição…
O problema da devastação das florestas é, como tal, de primordial importancia. Se há uns anos se soube que na Malásia sobravam apenas 20% da floresta original, agora é a exploração ilegal de madeira na Serra Leoa que está a por em risco de sobrevivência as florestas do país – estas poderão desaparecer dentro de uma década e membros do governo estão envolvidos no negócio (jornal i, 30.11.11).

É para alertar para estes factos, e para contribuir para a consciencialização das suas consequências, que pretendo levar a cabo a travessia do Atlântico em barco a remos, em 2012.
A propósito de estatisticas, o transporte marítimo é responsável por 3% das emissões globais, o equivalente à pegada de carbono da Alemanha, mas este não é o caso do Paraguaçú!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Paraguaçú 'baptizado'





Estiveram lá vários familiares e amigos. Foi numa tarde ensolarada (dia 26 de Nov.) em Belém, no CNL (Clube Naval de Lisboa), entidade apoiante do projecto 'Paraguaçú 2012', que tem prestado uma ajuda inestimável. Do CNL esteve presente o Vasco, o responsável da Vela. O João Pedro levou o espumante Quinta da Murta. A inesinha, bonita como sempre, subiu a bordo para umas fotos. A Inês e a Cristina lançaram o 'espumante baptismal'.
A reporter do jornal i, Marta, e o fotógrafo, António, apareceram mais cedo para uma entrevista a publicar em data a anunciar.

Mais no Facebook, em: http://www.facebook.com/pages/Paragua%C3%A7%C3%BA-httpparaguacu2012blogspotcom/135954383178895#!/pages/Paragua%C3%A7%C3%BA-httpparaguacu2012blogspotcom/135954383178895

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Já chegou!

Já cheguei da expedição ao Nepal! Observei e informei-me sobre 2 glaciares: o Khumbu, na base do Everest, e o Gebrayak, frente ao Cho Oyu, do lado tibetano. Os resultados podem ser surpreendentes (darei detalhes em breve). Mas o objectivo desta ‘Portuguese Glacier Watch – Cho Oyu 2011’ era também o de subir ao topo de uma montanha de mais de 8 mil metros e descer a esquiar. Passei assim a ser o ‘primeiro português a descer em esquis de mais de 8 mil metros de altitude’. Aqui ficam os links para alguns videos na montanha: o acampamento base; a chegada ao Campo 1; a passagem do serac; a descida em esquis...
http://www.facebook.com/profile.php?id=613684777 (my tent)
http://www.youtube.com/watch?v=D0Y064EvoU8 (killer slope)
http://www.youtube.com/watch?v=mOuRhK3XQjM (serac)
http://www.youtube.com/watch?v=kRUM1xx18-s (ski)
Algumas fotos no Facebook:
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150485890509778.459473.613684777&type=3














Mas, o que chegou também (e esta é a notícia) foi o meu barco – o Paraguaçú! De momento fica nas docas em Belém, onde se submeterá a pequenas reparações e ajustes, e à colocação de autocolantes identificativos da travessia. Se o tempo permitir farei algum treino na foz do Tejo, durante este mês de Novembro. No primavera do ano que vem o ‘Paraguaçú’ será transportado para LAGOS (ou Tavira), e treinos diários terão lugar durante todo o verão frente às praias algarvias: uma boa oportunidade para novos sponsors ‘darem nas vistas’!
A partida para a grande travessia está marcada para o final do ano de 2012 (ver post anterior) – este ano celebra os 90 anos da primeira travessia aérea do Atlântico sul, por Coutinho e Cabral.

Fotos: a caminho do campo 2 do Cho Oyu; a montanha; Paraguaçú frente ao Tejo; com o Amadeu a discutir detalhes da travessia.

domingo, 21 de agosto de 2011

A rota do Paraguaçú pelo ambiente


Em que consiste o Projecto: numa travessia oceanica para o Brasil, em barco a remos, seguindo a rota dos navegadores portugueses, sendo portadora de uma mensagem de alerta para o problema premente das ‘Alterações Climáticas’, e de um abraço de amizade à nação brasileira.

A mensagem que pretende transmitir esta travessia, que não depende da emissão de qualquer gás poluente, é a de alerta para o problema crescente das ‘Alterações Climáticas’ e a necessidade de Proteger as Florestas, em especial a Amazónia (em consonância com a proposta Fundo Amazónia, de Lula da Silva), um tesouro da Terra que coube ao povo brasileiro ser o guardião, incitando ao recurso a energias alternativas em substituição das fosseis, ao estabelecimento de políticas mais firmes de sustentabilidade e conservação, e à implementação de formas mais eficientes e racionais de exploração de recursos.

‘Paraguaçú’, é o nome deste projecto de travessia e da embarcação transoceânica: significa ‘mar’ ou ‘rio grande’, numa língua indígena da Amazónia. Era o nome da índia Tupinambá, ou Catarina do Brasil, considerada a ‘mãe biológica da nação brasileira’ após a sua união com Diogo Álvares - o primeiro habitante português no Brasil, depois de naufragado junto àquela costa, em 1510. Este nome pretende homenagear a relação umbilical Portugal-Brasil, e o espírito pioneiro dos navegadores dos séculos XV e XVI (Pedro Álvares Cabral, em particular), mas também os 90 anos da primeira travessia aérea do Atlântico sul, concluída em 1922 por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, bem como a graça do povo brasileiro, a quem pretendo estender um abraço com os votos de ver estreitadas as relações entre os dois povos irmãos.

Esta ‘cruzada’, apoiada em terra por uma reduzida equipa, reconstituirá a rota dos navegadores quinhentistas e a do ‘Santa Cruz’ (a aeronave que completou a travessia aérea), só que remando em solitário entre Marrocos-ilhas Canárias-Cabo Verde-Fernado Noronha-Brasil (Natal), numa extensão de quase 5.000 km de oceano. A duração esperada da travessia é de 120 dias. A partida está prevista para Dezembro de 2012. Durante o verão de 2011 uma preparação diária intensiva será levada a cabo ao longo das praias do Algarve, oferecendo uma excelente oportunidade para ações publicitárias.

A embarcação: é um barco a remos de corrida oceanica, Woodwale Solo Class, fabricado em Devon, Inglaterra, em 2008. Dimensões: 7,2 metros de comprimento por 2,02m de largura máxima e 1,6m de altura. Pesa aproximadamente 600 kg. Caracteristicas: 3 placas solares, des-salinizador de água; sistemas de comunicação/localização (radar, gps, telefone satélite, Epirb, ...). Historial: completou uma travessia do Atlântico (Canárias-Caraíbas) entre Janeiro e Abril de 2010, com o nome ‘Halcyon’.

Dimensão do Projecto: nenhum português realizou semelhante travessia em solitário ou sequer o tentou (houve um espanhol, vários ingleses e franceses, mas por rotas no hemisferio norte). Mais de 3.000 pessoas tentaram escalar o cume do Everest, apenas uns 200 tentaram atravessar um oceano a remos. Destes, alguns tiveram que ser resgatados e 7 desapareceram no mar. Apenas 32 pessoas de todo o mundo remaram através do Atlântico em solitário, e apenas alguns o lograram sem assistência.
Trata-se de um grande desafio de resistência, física e psicológica, não isento de riscos elevados, que exige uma elevada capacidade de preparação e organização, para minimizar os riscos e aumentar ao máximo as possibilidades de sucesso.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Crónicas de glaciares

A Noruega é liiiinda... mas os glaciares também estão em perigo!

Dia 23 parto para o Nepal. Tal como na Noruega, pretendo analisar efeitos da redução dos glaciares do vale do Khumbu, sobranceiro ao Everest, mas desta vez levando os esquis às costas com a intenção de neles descer da sexta montanha mais alta da Terra.
Anteriormente (crónica 26.11.10), dei noticia de que o glaciar de Chacaltaya, na Bolívia, desapareceu definitivamente em 2008 (como previsto 10 anos antes). Com isso encerrou a respectiva pista de ski e o panorama é agora desolador. Já não há neve a 5.300m de altitude! (tal como referi a respeito do Kilimanjaro: os efeitos notam-se mais drasticamente nas grandes altitudes e latitudes perto do equador)

Na Noruega situa-se o maior glaciar da Europa - o Jostedalsbreen (breen = glaciar), com uma área de 487km2. Actualmente o plateau tem uma extensão de pouco mais de 40km mas já foi muito longo...
Estive na ‘lingua’ de Boyabreen, uma das 25 que saem do glaciar principal. Boyabreen é braço mais longo, alimenta o fiord de Fjaerland, e está em retrocesso paulatino. Na foto vemos a evolução desse retrocesso desde 1886. Na foto seguinte vemos a evolução das temperaturas globais desde 1860, notando-se claramente o acentuado incremento a partir da década de 1980.

A história do consumo energético e do crescimento económico e demográfico da humanidade nos últimos 100 anos, “indica-nos que as alterações climáticas são, em boa parte, consequência de um desenvolvimento económico e demográfico sem precedentes, possibilitado pelo uso massivo dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás)” (por Mariano Marzo, catedrático de Recursos Energéticos da Fac. Geologia da Universidade de Barcelona, ao El País, 22.02.11). Segundo a OMM (org. mundial de meteo), 17 países registaram recordes de temperaturas máximas (Ago.10).

É para alertar para estes factos, e para contribuir para a consciencialização das suas consequências, que pretendo levar a cabo a travessia do Atlântico em barco a remos.

Curiosidade: Em 1972 um pequeno avião despenhou-se no plateau de Jostedalsbreen. O piloto morreu e foi evacuado. Os restos do aparelho foram sendo cobertos pela neve... Devido ao lento movimento das massas de gelo, espera-se que algum dia os destroços reapareçam no topo do Boyabreen.
(outras fotos no Facebook: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150389263954778.435119.613684777&l=7529cdb7a4&type=1

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pilares de Herkules














A alemã Janice pretende partir do Algarve no RFS (Row for Silence), em Dezembro, para a sua travessia oceânica… Anda às voltas com as autoridades marítimas portuguesas. Desejei-lhe ‘sorte’, pensando que talvez seja mais difícil o contacto com estas do que a própria travessia… O Julian sairá do Senegal a meio de Junho próximo para a sua segunda tentativa de travessia. A primeira, no ano passado, abortou no próprio dia da partida quando um temporal de força 9 o fez naufragar com o seu Herkules, ao cruzar os Pilares de Hércules, frente a Tanger.
Enquanto alguns estão prestes a sair, uns pouco tentam lutar no mar para evitar… isto! (foto de destroço) - o destino destes ‘trans-oceanicos’ conhece todas as classes de sorte - e eu continuo a lutar em terra contra a inércia, e a complexa e custosa logística (para a qual a total falta de apoios nada contribui). O negócio com o Oceanite esfumou-se (ou, não chegou a bom porto). O barco estava em piores condições do que o previsto. O Herkules é uma possibilidade caso chegue em bom estado a Cayenne, na Guiana Francesa.
Os contactos e os treinos prosseguem…
Em finais do verão aguarda-me uma expedição nos Himalaias… Outra forma de por à prova quer a logística quer o isolamento. Estas e outras andanças estão descritas no meu futuro livro, já meio escrito, ‘Ensaio sobre a Solidão’ (ver também http://aventuraaomaximo.blogspot.com).
(Fotos: vista de Marrocos a partir de Gibraltar; destroço de um barco de travessia; Julian e Zé com o Herkules no clube náutico)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Paraguaçú!

O Toledão apareceu na Pousada Tropical na moto do Sorvetinho, para me levar a ver o Oceanite (sobre a pensão não pretendo fazer publicidade porque na verdade, apesar de não estar mal, deram o dito por não dito sobre o preço negociado e queriam cobrar-me o dobro para a segunda noite. Está claro que… mudei de poiso!).
O Oceanite é um barco de construção francesa equipado para travessia oceânica. Mede 7,3 metros e pesa mais de 450kg. No terceiro dia que estive a remá-lo o vento deu-nos forte e eu mal conseguia movê-lo do sítio até que me ocorreu remar para trás e, de facto, a resistência é menor porque o cockpit corta o vento em vez de fazer de vela. Após a luta de 4,5horas passei a chamar ao barco ‘The Beast’! Porque arrastar este menino de volta para o ancoradouro provocou-me dores musculares (trapézios, deltóides e dorsais), sanáveis com um pain-killer tipo paracetamol, mas não desprezáveis.
A experiência deu-me uma nova perspectiva sobre a brincadeira… Qualquer distracção pode provocar-nos um desequilíbrio a que se pode seguir um mergulho forçado, um corte numa mão, ou uma contusão num tornozelo. Para não falar de algum escaldão no peito do pé, ou do cérebro zonzo durante dias, após uma noite mal dormida a bordo sob condições de balanceio constante. Na manhã do segundo dia antevi a facilidade com que me poderia vir a sentir como um ‘bicho’ em apenas alguns dias, quanto mais em meses! Refiro-me ao desconforto, à rotina higiénica e à exiguidade do espaço.

Acabo de chegar de Santos, no Brasil. O Toledão, José Toledo, é o dono do Oceanite (ele tentou a travessia em 2008 mas sofreu um percalço a 500 km da sua meta). O barco está agora a caminho do estaleiro para revisão e pequenas adaptações e vai mudar de nome para ‘Paraguaçú’ (explico porquê na próxima crónica). Em breve virá para Portugal num ‘contêiner’ (como eles escrevem), possivelmente para o Algarve.
Numa apresentação em Novembro, na Escola Superior de Desporto de Rio Maior, anunciei por primeira vez, publicamente, a minha intenção de atravessar o oceano Atlântico num barco a remos, em solitário. Agora, após vários dias a experimentar um barco no Brasil, onde conheci gente muito simpática que sem me conhecer me transmitiu a ‘maior força’, confirmo aquele anúncio de forma ‘oficial’! A máquina está em marcha!
Às entidades patrocinadores e apoiantes, lanço o desafio de formalizar os acordos, de modo a poder referi-las nos posts e crónicas e a colocar os seus logotipos nos blogues, cartões de visita, t-shirts e autocolantes.

Ao pessoal de Santos (Douglas, fabricante dos kayaks de turismo e canoas havaianas Pili Ohana ou, ‘grande família’; Don e Dani, da escola de canoagem Rapa Nui, que organizam actividades com populações desfavorecidas; e Fátima), ao C. Motta e ao grande amigo Amadeu, que confirmou o seu apoio como uma espécie de ‘guia espiritual’ durante a travessia, um obrigado e um forte abraço!
José Tavares